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| Fonte de S. Martinho - S. Pedro do Sul |
S. PEDRO DO SUL
Num silêncio prateado
O dia amanhece revigorado
Para abraçar a noite
Fresca, doirada,
E com a missão exacerbada
De embelezar a Natureza
Que nasce no seu caminho
E o rio que murmura baixinho
Num abraço solidário,
solta-se meigamente
Feito afago, feito carinho
A lua vaidosa e sonhadora
Tão absurdamente apaixonada,
Baila no Céu de azul pintado
E espelha-se no rio Vouga
Para exorcizar a saudade
Das conquistas do passado.
As pontes carinhosamente
Abraçam as duas margens
Num afago maternal
E os montes encantados,
Bucólicos e imponentes,
Tecem húmidos pensamentos
Dos tempos que já lá vão
E fazem jus á Natureza
Sempre pronta a florir
E a embelezar o rio Vouga,
Sereno e sem medo
Agarrado ás raizes,
Parecendo esconder segredos
De reis, vassalos e meretrizes.
Logo pela madrugada
Os pássaros cantam nos galhos
E a Natureza não pára
Num eterno advir,
Cobre-se de flores coloridas
E gira!…
Gira num movimento imparável,
É bom voltar a São Pedro do Sul
A tão romântico lugar,
De águas sulfurosas e quentes
Que curam os males das gentes
E no banco do jardim
Ouve-se o mais belo canto
Da água que cai da fonte
Misturado com o chilrear
Dos passarinhos
E na cinzenta capelinha
Feita de pedra velhinha,
Silenciosamente se ora
Ao milagroso São Martinho.
S. Pedro do Sul, 01-04-2017
Autora, Maria Judite de Carvalho
"Reservados os direitos de Autor"
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