Maria Judite de Carvalho é natural de Covas do Douro, Sabrosa, Vila Real.

Publicou POEMAS DA MINHA ANGÚSTIA em 2011, pela Editora Ecopy; POEMAS DE AMOR E ANGÚSTIA em 2011 pela Editora MOSAICO DE PALAVRAS.

Integrou, as Coletâneas ARTE PELA ESCRITA QUATRO, CINCO E SEIS na forma de poesia e prosa.

Editou em 2013, o livro infantil A SEMENTINHA SOU EU na forma de poesia, Edição de autor.

Integrou os volumes I, II, III e IV das coletâneas POÉTICA - Antologias de poesia e prosa poética da Ed. Minerva - 2012 a 2014.

Integrou em 2014 e 2015, a Antologia de Poesia Contemporânea ENTRE O SONO E O SONHO - Vol. V e VI da Chiado Editora.

Integrou em 2015, a coletânea UTOPIA(S ) da Sinapis Editores.

Integrou o volume I da Antologia de Poesia e Prosa-Poética Contemporânea Portuguesa TEMPLO DE PALAVRAS – I, II, III e IV da Ed. Minerva.

Integrou em 2016 a colectânea TEMPO MÁGICO da Sinapis editores.

Integrou em 2016 a coletânea PARADIGMAS(S) das Edições Colibri.

Integrou a antologia ENIGMA(S) da Sinapis editores em 2016.

Integrou, em 2017, o volume I da antologia ECLÉTICA, com coordenação literária de Célia Cadete e de Ângelo Rodrigues, das Edições COLIBRI.

Em 2017 publicou - PEDAÇOS DO NOSSO CAMINHO - na forma de poesia com fotografias de Jorge Costa Reis



quarta-feira, 30 de agosto de 2017

AI SAUDADE!… AI SAUDADE!...


AI SAUDADE!… AI SAUDADE!...

Lá longe!…
Com as lágrimas das flores
Se tecem saudades de todas as cores,
Da cor dos sonhos sonhados
E vê-se um casario velho
Fechado como um império,
Que distribui sentimentos
Sobre o leito de um rio
Que tudo leva para o mar,
Os suspiros das gaivotas,
O voo dos passarinhos,
As penas das pombas mansas
Que tristemente se olham
E choram as nossas lembranças.

Lá longe!…
O Céu veste-se de azul
Saudoso do sol distante
E das nuvens 
Que correm para Norte
Negras de tanto querer,
Nasce a urze nos montes
Que ás vezes cresce bem torta
Para fugir á má sorte, 
De tão tamanha  secura
E da saudade Deus meu,
Saudade que há tanto dura.

Ai saudade!… Ai saudade!...
Despida de sonhos sonhados
E as rosas enternecidas
Vestem-se de roupa garrida,
Para alegrarem a vida
Que passa aqui a meu lado,
Ai saudade!… Ai saudade,
Ao vê-las assim coloridas,
Cheirosas e perfumadas
Aqui tão perto de mim,
Eu fico enternecida
E peço a Deus que a vida
Não pare de sorrir pra mim.

Ai saudade!… Ai saudade!…

30-07-2017
Maria Judite de Carvalho - Costa Reis
Reservados os direitos de Autor

domingo, 20 de agosto de 2017

MINHA MÃE…


MINHA MÃE…

Minha mãe eu choro á noite
E rezo por ti de dia,
É no silêncio da noite
Que a dor me faz companhia.

Minha Mãe eu grito a noite,
Porque a vida me castiga,
É em mim que se abrigam
Os sofrimentos da vida.

Minha Mãe eu sofro na noite
Como um barco naufragado,
Que navega nas marés
E nas ondas deste meu fado.

Minha Mãe que me pariste
No meio de tanta dor,
Era inverno e era noite
Apesar do teu amor.

Minha mãe sofro de dia
E choro no escuro da noite
Para ninguém me ver sofrer,
Deixa-me regressar ao teu ventre,
Fora dele, não sei viver.

17-08-2017
Maria Judite de Carvalho Costa Reis
Reservados os direitos de autor

terça-feira, 8 de agosto de 2017

VOLTA PARA TRÁS Ó TEMPO

Fotografia tirada em Cabo Verde - 2017

VOLTA PARA TRÁS Ó TEMPO

Volta para trás ó tempo,
Não perpetues o meu sofrer,
Volta até eu ser pequenina,
Quando inocente menina, 
Sentada no colo materno 
Eu esperava crescer.

A vida me foi madrasta,  
Me fez incompreendida,
Na curva da minha estrada
Sem amor e sem guarida,
Fizeste de mim amarga
Fizeste de mim mendiga.

Volta para trás ó tempo,
Deixa-me ser pequenina
Não quero mais ser mulher,
Adulta de negro vestida,
Na solidão me perdeste
E no amor que esqueceste
Tornaste meus dias noites
E as noites, noites são,
Na estrada da minha vida
Somaste desilusão.

Volta para trás ó tempo,
Já não sei como, nem onde ir,
Deixa-me ser pequenina,
Voltar a ser a menina
Que de olhar terno e inocente
E de lábios sempre a sorrir,
Via um mundo florido
Com as cores do arco-íris.
10/2010
Maria Judite de Carvalho - Costa Reis
Reservados os direitos de Autor


domingo, 9 de julho de 2017

PRECISO DE AMOR


PRECISO DE AMOR

Soltem o tempo, a noite e o dia
E parem os relógios,
Eu preciso de amor!…
De amor persistente e constante
Que a vida teima em negar
E que só em mim persiste
E nos outros se apaga ou não existe.

Destruam toda a carência de amor
Que existe na Terra,
Calem os sons do fado
Que despertam a saudade
E entristecem a existência
Como se o amor fosse um pecado.

Rasguem os poemas de desamor
E os romances de vidas infelizes
Que perturbam as minhas raízes,
Acabem com os espinhos coloridos
Das rosas nos jardins
E com o latir dos animais famintos,
Atirem-lhes com comida 
E sorrisos com abundância,
Para lhes saciar a fome de amor
Que os persegue desde a nascença.

Façam-me renascer
Num novo mundo
E embrulhem-me 
Em cobertores de amorosa poesia 
E em cânticos felizes
Dos passarinhos nos ninhos,
Tragam-me um berço 
Para me embalar
Com almofadas de afagos 
E lençóis brancos de amor 
Para eu adormecer, 
E depois!…
Depois… deixem-me morrer.


13-06-2017
Maria Judite de Carvalho da Costa Reis.
Reservados os direitos de autor

quarta-feira, 5 de julho de 2017

SEM AMARRAS

Rio Arade - Ferragudo
SEM AMARRAS

Soltem-se as minhas amarras!…
Dos traumas, das desilusões
E dos meus medos
Porque eu quero viver liberta.
Hoje acordei resiliente 
Como prisioneira desejando a liberdade,
A poesia enrola-se nos meus cabelos
E banha-se nas ondas do meu pensamento
Para viver para lá do meu tempo,
Dum tempo que teima 
Em não querer ser tempo
E em não me libertar plenamente.

Soltem-se as minhas amarras!…
Porque eu quero ser maré perfumada
Pela maresia da noite,
Da tarde e da  madrugada,
Ou ainda um barco na praia ancorado
Se baloiçando nas ondas 
Ou sobre a areia poisado
E sentir a minha alma ardente
Queimar-me o corpo por fora e por dentro 
Para me fazer florir no Jardim do Eden.
Quero bailar com as gaivotas nas nuvens
Dando gritos à liberdade,
Enfeitada com ramos de rosas e de jasmim
E deixar a maré 
Soltar as amarras de mim.

Soltem-se as minhas amarras!...

16-05-2017
Maria Judite de Carvalho da Costa Reis.
Reservadosos os direitos de autor

sábado, 10 de junho de 2017

JÁ NÃO TEMOS PALAVRAS

Ilha da Madeira 2016


JÁ NÃO TEMOS PALAVRAS
  
Já não temos palavras, para serem ditas!...
Foram todas gastas no tempo de espera,
Já não somos pássaros 
Colocando amor no nosso ninho
E já não cantamos em plena primavera.

Meus olhos se cansaram de te esperar, 
Minha boca silenciou o carinho
Que tinha para te dar,
Teu corpo me esqueceu 
E minha alma estremeceu de desilusão,
Porque quanto mais te amava,
Mais de ti, eu esperava.

Nas ruas nuas só encontrava o silêncio
E eu caminhava como mendiga faminta,
Morrendo de fome e de tanta desdita,
Depois de muito eu ter estremecido 
Ao murmurar o teu nome.

Já não temos palavras, para serem ditas!...
De tanta espera na desdita,
Já não há dentro de mim
Nada de bom para ti. 
11-10-2012
De Maria Judite de Carvalho da Costa Reis.
Reservadosos os direitos de autor

terça-feira, 30 de maio de 2017

S. PEDRO DO SUL

Fonte de S. Martinho - S. Pedro do Sul
S. PEDRO DO SUL

Num silêncio prateado
O dia adormece 
Para deixar entrar a noite
Fresca e doirada,
Com a missão exacerbada
De doirar a Natureza
Que nasce no seu caminho
E o rio que murmura baixinho
Num abraço solidário,
Solta-se meigamente
Feito afago, feito carinho.

A lua vaidosa e sonhadora
Tão absurdamente apaixonada,
Baila no Céu de azul pintado 
E espelha-se no rio Vouga
Para exorcizar a saudade
Das conquistas do passado.

As pontes carinhosamente
Abraçam as duas margens
Num afago maternal
E os montes encantados,
Bucólicos e imponentes, 
Tecem húmidos pensamentos
Dos tempos que já lá vão
E fazem jus á Natureza
Sempre pronta a florir
E a embelezar o rio Vouga,
Sereno, vigoroso e sem medo
Agarrado ás raizes,
Parecendo esconder segredos
De reis, vassalos e meretrizes.

Logo pela madrugada
Os pássaros cantam nos galhos
E a Natureza não pára 
Num eterno advir,
Cobre-se de flores coloridas
E gira!…
Gira num movimento imparável,
É bom voltar a São Pedro do Sul
A tão romântico lugar,
De águas sulfurosas e quentes
Que curam os males das gentes
E no banco do jardim 
Ouve-se o mais belo canto
Da água que cai da fonte 
Misturado com o chilrear 
Dos passarinhos
E na cinzenta capelinha
Feita de pedra velhinha,
Silenciosamente se ora
Ao milagroso São Martinho.
S. Pedro do Sul, 01-04-2017
De Maria Judite de Carvalho Costa Reis
"Reservados os direitos de Autor"


quarta-feira, 17 de maio de 2017

CHORO

Parque Xcaret - México
CHORO

Sim eu choro!
E ninguém ouve  
As minhas lágrimas,
Que caem da minha saudade,
Dum mundo que me negaram,
Da tristeza que me vestiram,
Do amor que me despiram
E de tanto eu ter caminhado
Num mundo tão decepado.

Sim eu choro!
E ninguém ouve
As minhas lágrimas, 
Quando peço um pouco de amor,
De filha, de mãe, 
De amiga e de mulher,
Seja ele de quem for
E venha de onde vier.

Sim eu choro!
Pelas crianças que eu vejo sofrer,
Na espera de crescer.

Sim eu choro!
Pelos idosos sem ninguém
Que esperam por alguém
Que lhe oiça o seu grito,
Sim eu choro!
Choro por mim, choro por ti, 
Pelo amor que é tão negado
Sendo por todos tão desejado. 

Sim eu choro!
E ninguém houve 
As minhas lágrimas…
29-04-2014 "Reservados os direitos de autor" 

quarta-feira, 10 de maio de 2017

HOJE MORREU UM POETA

S. Miguel - Açores (2015)
HOJE MORREU UM POETA

Hoje morreu um poeta!…
Ficou a tristeza mais triste
Chorando sua despedida,
Confundiu a sua vida
Com os poemas que escreveu,
Ia ao inferno e voltava sempre,
Para escrever poesia
Que da alma lhe saía
Para oferecer ao amor ausente.

Foi criança inocente
Com a cabeça no Céu,
Espalhou amor por todos,
Muito mais que recebeu,
E na ponta da sua pena
Suas mágoas ele contou,
Hoje morreu um poeta!…
Cobriram seu corpo gélido
Os versos que cá deixou.

Hoje morreu um poeta!…
O Céu vestiu-se de negro,
O silêncio trovejou,
As estrelas se apagaram,
As nuvens se revoltaram,
As chuvas foram as lágrimas
Que ele por cá chorou.

Hoje morreu um poeta!…
Os seus poemas deixou.
12-01-2012
"Reservados os direitos de autor"

sábado, 6 de maio de 2017

ASSIM ME AMAS



ASSIM ME AMAS

Tu me abraças
Quando a minha luz se apaga,
Tu me levantas
Para não desfalecer,
Tu me abraças
Para esquecer  as minhas dores,
Tu me levantas
Para fazeres de mim rainha,
Dando-me um trono
Repleto de amor.

Tu me levantas 
Mais do que eu posso alcançar,
Quando estou triste
Com saudades das estrelas,
Que se apagaram
Numa noite sem luar,
Tu me abraças
E me aqueces com teu calor,
Para que eu viva
Quando estou desfalecida.

Tu me abraças
Quando luto sem vencer,
As turbulentas ondas  
Do meu mar enfurecido, 
Então me olhas 
Com olhos feitos de amor
E me acalmas
Quando minha alma está perdida,
Olhas meus olhos 
E me dizes com carinho,
Amo-te tanto!...
Tanto, tanto... minha querida.
17-11-2016
Autora: Maria Judite de Carvalho-Costa Reis
"Resevados os direitos de autor."

segunda-feira, 1 de maio de 2017

POESIA ADIADA



POESIA  ADIADA

Enquanto navego 
No mar do meu peito,
Vou deixando naufragar
Os meus pensamentos
Transformados em versos,
Que se perdem de mim
Por não encontrarem guarida
E assim permanecem
Sem aplausos e esquecidos
No palco sombrio da vida.

Nessa sombra 
Em que se ocultam,
Ficarão para sempre
Retratados num quadro 
De natureza morta,
Aí viverão no silêncio
Dos ruidos abafados
E eternamente mergulhados 
Nas ondas dum mar imenso,
De um mar calmo, ou encapelado.

Cansada!… 
Cansada eu partirei na noite  
Ao encontro da límpida madrugada,
Que seja verde, florida e humedecida,
Porque sou gaivota sem asas
Que na água se espelha,
Que não voa
E que caminha na sombra, 
Na chuva e no vento,
Com os pensamentos 
Em perfeito desalinho, 
Perdidamente perdida
Com a alma semi acordada,
Ou profundamente adormecida.
21-04-2017
"Reservados os direitos de autor"

segunda-feira, 17 de abril de 2017

DESILUSÃO

S.Pedro do Sul - 2017

DESILUSÃO

Um dia...
Pego ao colo o meu carinho,
Abafo-o abafadinho
E coloco-o na prateleira
Do meu esquecimento.

Um dia...
Junto todos os meus sonhos,
As ilusões, os desenganos,
A infelicidade que me abraça,
Os meus desgostos tamanhos
E lanço-os num poço
Escuro e fundo, 
Depois...
Serena e calma 
Esperarei que se afoguem
E que se afundem.

Um dia... 
Esqueço tudo  
E renasço de novo 
Numa madrugada,
Vou dentro da minha alma
E queimo as poeiras 
Das minhas ilusões
E transformo em cinzas 
As minhas recordações.

Um dia… um dia,
Voarei como gaivota,
Procurarei um abrigo
Longe em outras quimeras
Pertinho do Céu na Terra,
Para que minha infelicidade
Seja surda, muda e cega.
24-11-2012
"Resevados os direitos de autor."

domingo, 9 de abril de 2017

ABRE-ME A PORTA

S.Pedro do Sul - 2017

ABRE-ME A PORTA

O meu amor é puro,
É suave, é choro errante,
Que desce rios
Límpidos, turvos, 
Calmos ou inconstantes.
Aí quem me dera!…
Aí quem me dera!…
Eu ter vivido
Sem ser chamada,
Para pisar
Duros penedos
Nesta calçada.

Nasci formosa,
Simples romã,
Que esperou o Sol
Para crescer,
Aí quem me dera!…
Ser uma criança
E brincar nas nuvens,
Com largos caminhos 
Para percorrer.

Sou um ouriço,
Uma castanha 
Encurralada,
Olhando o mundo
Ora do Céu, ora da Terra,
Muito assustada,
Não Te esqueças de mim
Que sou Tua filha
Ó Pai da Vida,
Abre-me as portas 
E as janelas
Da Tua casa, 
Que estou cansada,
Que estou perdida.

S. Pedro do Sul  09-04-2017
"Resevados os direitos de autor."

quarta-feira, 29 de março de 2017

O NOSSO POEMA

México - 2015
O NOSSO POEMA

O reino do meu tempo
É o teu tempo,
Porque traz com ele
O nosso tempo de amar,
O mundo é só nosso 
Meu amor!
Porque o meu tempo
Será o tempo teu,
Ele carrega 
Todos os sonhos
Que eu sorvo 
E que tu sorves,
Para transformar
A nossa vida
Num vasto Céu.

Voo na vida 
Com as asas 
Do nosso tempo,
Semeio sonhos 
Durante a noite 
E a madrugada,
Para colher  flores
Nesse teu sereno peito 
E as cobrir com a seiva 
Que precisam para viver,
Teus olhos são o clarão
Que me ilumina,
Junto de ti
Eu me sinto pequenina,
Onde o amor
Floresce sem se ver.
29-3-2017
"Resevados os direitos de autor."

quarta-feira, 22 de março de 2017

ESCREVER NÃO ME APETECE

Rio Arade - 2017

ESCREVER NÃO ME APETECE

Há muito tempo 
Que não faço um poema,
Mas que pena!…
Por que será?
Será que estou adormecida,
Sem sonhos, sem esperança
E sem inspiração,
Ou será que o tempo passa
Quase sem graça?.

É grande 
O desconforto meu,
Olho o mundo
Que se sacode,
Expande e encolhe
E nada!…
Parece que nada aconteceu.

Por que não consigo
Fazer um poema?
No meu peito, 
Ah!… No meu peito
O coração não palpita,
Meus pensamentos baloiçam 
Como barcos solitários 
Ancorados na marina,
Mas que sina…
O vento ruidoso me embala,  
Os pássaros 
Silenciam-se nos galhos
Ou se afastam como vadios
E nos jardins… nos jardins
As flores não florescem 
E eu aqui estou silenciada,
Porque escrever,
Não me apetece.

Por que não consigo 
Fazer um poema?…
22-03-2017
"Resevados os direitos de autor."

terça-feira, 7 de março de 2017

COM PENAS NO PEITO

México - 2015
COM PENAS NO PEITO

Pássaro ferido
Que sofres,
Que penas,
Nesse teu penar,
Coração  partido
Por Deus esquecido. 

És ave sem Céu,
Saltitas, não voas,
No Mundo perdido 
De mágoas ferido
Gritas tua dor,
Te arrastas no chão,  
Nos campos sem vida
Feito maldição.

Voar já não podes
Nem sequer sonhar,
És noite sem alma,
És dia sem luz, 
Neste teu penar.

Pássaro ferido
Vestido de dor,
Com penas no peito,
Sofrendo sem jeito
E morrendo de amor.

Pássaro ferido
Não encontras caminho,
Andas sem destino,
Queres voar para onde?
Qual foi o teu pecado?
Ficaste sem ninho
Porque amaste sozinho
Sem teres sido amado.

30-10-2011
"Resevados os direitos de autor."

sábado, 4 de fevereiro de 2017

MEU BARCO MEU DESTINO

O Porto e o Douro - 2016
MEU BARCO MEU DESTINO

Meu barco se perdeu
Num mar revolto da vida,
Navegou desgovernado,
Perdendo a vida da vida.

Ele foi cortando as águas
Firmando-se sempre nos lemes,
Tanto vento, tanta mágoa,
De repente caíu à água
E mergulhou no inferno.

As águas eram profundas
Frias escuras de dor,
Aquietou-se quietinho
E lá sua paz encontrou,
Na morte que lhe deu vida,
Na quietude do silêncio,
No sol que o aqueceu,
Nas palavras que não ouvia,
No afecto que já não tinha
E na paz que o abraçou.

Agosto/2011
"Resevados os direitos de autor."

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

À TUA ESPERA

Jardins do Palácio de Cristal - 2016





























































À TUA ESPERA
                    
Tardaste amor,
A encontrar-me!…
A minha noite
Foi longa
À tua espera,
Fui ficando sempre só
Em eternos cansaços,
À espera que viesses
E me prendesses
Nos teus braços.

Esperei amor!…
Pelo sabor da tua boca,
Pelo cheiro do teu corpo,
Pelo teu sorriso,
Pelo teu carinho
E na espera
Meu amor!…
Entristecida
Eu mastigava
O meu cansaço,
Enquanto escutava
O eco ausente
Dos teus passos.

Tardaste amor,
A encontrar-me!…

23-11-2015
"Resevados os direitos de autor."

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

QUERO SER RESILIENTE

Anoitecer em Córdoba - 2016
QUERO SER RESILIENTE

Solte-se em mim,
Vida, amor, flores,
Valentia e renovação,
Como quem solta
Animais acorrentados
Em planícies verdejantes,  
Ou por montes 
Negros queimados,
De palavras ocas perdidas 
E amores desperdiçados.

Quero abraçar
A paz, a luz, a alegria,
Ser resiliente prudente,
Sem a pretensão 
De sempre ter razão
E de vencer,
Mas sonhando dia a dia,
Sonhando sempre,
Antes e depois de adormecer

Quero ser resiliente!
Ressuscitar meus sonhos,
Os sonhos que sempre sonhei,
Que morreram á nascença
E se perderam de mim,
Quero ser resiliente
E amar, amar sempre,
Perder e recomeçar
Seja aqui ou seja ali
E sempre agarrar a vida
Para não fugir de mim.

Quero ser resiliente!…

10 - 01- 2017
"Resevados os direitos de autor."

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

A PRENDA DE NATAL

CONTO DE NATAL 
A PRENDA DE NATAL

José era um acérrimo adepto da preservação da natureza e do meio ambiente do seu planeta e como tal, todos os anos no Natal, aproveitava as feiras de velharias que se realizavam nas redondezas e na sua  paróquia, para comprar uma peça ou outra, que lhe fazia falta lá em casa.
Vivia só, era viúvo e a sua única filha estava emigrada no estrangeiro.
O Natal aproximava-se e como ela vinha passá-lo a Portugal, frequentou todas as feiras, com o propósito de comprar um pequeno móvel, para preencher um grande espaço vazio de um dos quartos da sua habitação.
Numa dessas feiras encontrou uma cómoda antiga. A cómoda que sempre sonhara ter e apesar de bastante velhinha, sem hesitar, pegou nos euros que possuía no bolso, comprou-a e levou-a para casa como se fosse a sua melhor prenda de Natal.
O móvel estava velho, muito velho, mas José  logo se imaginou a restaurá-lo, a passar-lhe verniz e a fazer dele a peça mais bonita da sua residência, já que a tinha desejado em toda a sua vida.
Quando José começou a reparar o móvel, um dos gavetões parecia estar colado à restante madeira e não se movia por mais que ele se esforçasse. Só depois de muitas tentativas, com muita paciência e cuidado, o conseguiu abrir.
Depositado no interior daquelas cinco tábuas teimosas, estava uma pequena caixa de madeira, também muito velha e suja de tantas vezes ter sido lambida pelos cinco dedos das mãos da sua proprietária.
José ao ver a caixa ficou curioso e como qualquer mortal, sem hesitar, abriu-a.
No interior tinha apenas um postal de Boas Festas natalícias, escrito com palavras muito ternas, pela mão de um homem extremamente apaixonado, onde pedia á sua amada para que em todos os Natais em que ele estivesse ausente, o lesse em voz alta antes do início da ceia de Natal, e depois… o colocasse bem junto a ela quando se sentasse á mesa.                       
No envelope apesar de muito amarelecido do uso e do tempo que por ele tinha passado,  ainda se conseguiam ler o nome e a morada da destinatária.
José enternecido com aquela manifestação de amor, meteu-o novamente dentro da caixa e procurou a proprietária para lhe entregar aquela joia familiar.
Chegado ao destino, ficou triste e decepcionado ao ver que a casa estava bastante destruída, sem janelas, sem telhado e sem ninguém a viver nela, porque não tinha resistido á fúria de uma destruidora tempestade.
José não desistiu e junto dos vizinhos, tentou saber do paradeiro da família que ali tinha residido naquela casa em ruínas.
Soube então, que a senhora que ali tinha morado, já estava com bastante idade e por apresentar muita debilidade física e sem ter nenhum familiar para lhe dar algum apoio, tinha sido alojada num Lar de idosos.
José, sem largar a caixinha de madeira, foi ao encontro da idosa.
Chegado ao Lar, uma das irmãzinhas dos pobres encaminhou-o até ao quarto onde a senhora estava acamada e assim que ela o viu com a sua caixinha na mão, sorriu-lhe enternecida e carinhosamente lhe disse:

-      Demoraste tanto tempo a chegar, meu amor!… Hoje é dia de Natal  e como já vejo muito mal, este ano serás tu, quem vai ler para mim o teu postal de Boas Festas;
-      Meus olhos estão cansados, muito cansados, e dificilmente o conseguiriam ler.

Deu um profundo suspiro de alívio, fechou os olhos e com um sorriso nos lábios, deu inicio à sua partida.
José, profundamente emocionado, sentou-se na beira da cama bem juntinho a ela, apertou lhe a mão e leu-lhe o postal em voz alta, para que aquela alma que acabava de desencarnar ainda tivesse o seu  presente de Natal.

Natal de 2016
Autora: Maria Judite de Carvalho da Costa Reis
"Resevados os direitos de autor."