Maria Judite de Carvalho é natural de Covas do Douro, Sabrosa, Vila Real.

Publicou POEMAS DA MINHA ANGÚSTIA em 2011, pela Editora Ecopy; POEMAS DE AMOR E ANGÚSTIA em 2011 pela Editora MOSAICO DE PALAVRAS.

Integrou, as Coletâneas ARTE PELA ESCRITA QUATRO, CINCO E SEIS na forma de poesia e prosa.

Editou em 2013, o livro infantil A SEMENTINHA SOU EU na forma de poesia, Edição de autor.

Integrou os volumes I, II, III e IV das coletâneas POÉTICA - da Ed. Minerva - 2012 a 2014.

Integrou em 2014 e 2015, a Antologia de Poesia Contemporânea ENTRE O SONO E O SONHO - Vol. V e VI da Chiado Editora.

Integrou em 2015, a coletânea UTOPIA(S ) da Sinapis Editores.

Integrou o volume I da Antologia de Poesia e Prosa-Poética Contemporânea Portuguesa TEMPLO DE PALAVRAS – I, II, III, IV e V da Ed. Minerva.

Integrou em 2016 a colectânea TEMPO MÁGICO da Sinapis editores.

Integrou em 2016 a coletânea PARADIGMAS(S) das Edições Colibri.

Integrou a antologia ENIGMA(S) I da Sinapis editores .

Integrou, a antologia ECLÉTICA, I, II, III E IV com coordenação literária de Célia Cadete e de Ângelo Rodrigues, das Edições COLIBRI.

Em 2017 publicou - PEDAÇOS DO NOSSO CAMINHO - na forma de poesia, com fotografias de Jorge Costa Reis.



terça-feira, 4 de dezembro de 2018

RECORDAÇÕES DE NATAL


RECORDAÇÕES DE NATAL

O Sol pôs-se no Poente e em casa, o fogão da cozinha não parava e não se apagava.
A chama do gás elevava-se num clarão dourado como nunca tinha acontecido nos anteriores dias do ano e todos se moviam numa azafama tamanha, para preparar a festa natalícia, a festa anual da família. 
As famílias nessa época eram muito numerosas e todos os anos se reuniam à volta da mesa na noite de Consoada para festejarem o nascimento do Menino Jesus.
As ruas eram enfeitadas com instalações eléctricas muito coloridas por conta da autarquia, dos comerciantes locais e ouviam-se músicas alusivas ao Natal, para alegrar mais ainda a alma de quem por elas passava. 
O mês de Dezembro era o mês mais bonito do ano. Era por si só, um verdadeiro presente de Natal. 
As luzes coloridas, as noites e os dias muito frios e húmidos, o cheiro das castanhas assadas nas ruas, as músicas e as montras recheadas de coisas bonitas e boas, maravilhavam os adultos e as crianças. 
A neve... a neve que frequentemente cai nesta época do ano sobre as árvores e sobre a relva dos jardins em forma de flocos brancos, pareciam pétalas de rosas brancas a cairem do céu e faziam vir à memória imagens fantásticas, iguais às imagens dos contos de fadas ouvidos e contados pelos adultos à criançada, porque nessa época, não existia televisão, computadores e nem a net recheada de informação, jogos e outras diversões.
Na noite de Consoada, em todos os lares, jogava-se ao Rapa, Tira, Põe e Deixa com os familiares presentes e em unissono todos se divertiam.
Todos nos vestíamos com a melhor roupa que tínhamos, para nos sentarmos à mesa na Ceia de Natal, para assistirmos na igreja à missa do galo e para ser usada no dia seguinte, no dia de Natal.
Com toda esta vivência tão modesta as crianças eram felizes, mesmo quando o frio era grande e a roupa sobre o corpo era pouca ou de má qualidade térmica, incapaz de fazer frente ao frio do Inverno.
Cresci neste ambiente e tornei-me num ser humano forte e resiliente, incapaz de me deixar vencer palas contrariedades da  vida.
Aos meus filhos quis transmitir-lhes a mesma força, a mesma alegria de viver e os mesmos valores que me tinham transmitido e eu adquirido enquanto criança.
Antes que eles crescessem e abandonassem a inocência que os envolvia na época natalícia, quis fazer daquele Natal, um Natal muito especial. 
Temia que no ano seguinte com o aumento de idade deles, com a entrada para a escola primária e com a evolução da sociedade, perdessem a  inocência que envolvia o Natal das crianças. 
Depois de preparar a ceia tradicional com as batatas, o bacalhau, os doces, e de colocar o melhor serviço de jantar na mesa, sobre uma toalha dourada com os guardanapos vermelhos e um grande centro de Natal feito com ramos de pinheiro, flores, azevinho e uma vela vermelha no centro, para embelezar mais ainda o ambiente festivo da ceia de Natal, decidi também fazer algo diferente que, até ali, nunca me tinha lembrado de fazer. 
No fim da ceia, para ajudar a passar o tempo que faltava no relógio para dar as badaladas da meia noite, comecei por lhes contar como eram os meus natais quando eu era pequenina.  
Então disse-lhes : 
- Quando eu era pequenina, numa noite de Consoada abri a janela da sala para ver a lua, o luar e as estrelas. 
A noite estava luminosa e linda com seus cabelos prateados sobre a Terra e as estrelas brilhavam muito, brilhavam como se estivessem a iluminar uma grande árvore de Natal... a árvore dos anjinhos do Céu.
Era uma noite muito especial em todos os lares do mundo e em todo o Planeta.
Ao longe avistei o rio Douro serpenteado e lento devido ás barragens que lhe acalmavam a ferocidade que tinha, mas muito barrento porque as chuvas do Inverno tinham sido muitas e tingiram-lhe o leito de cor dourada.
O planeta Terra estava em festa para festejar o nascimento do Rei Salvador.
Ao olhar para o Céu, também vi por cima de uma casa distante, um trenó puxado por seis renas, com um motorista bastante velhinho e muito volumoso, com umas reluzentes bochechas e com as barbas longas e brancas devido à idade.
O frio parecia não o sentir, apesar da noite estar gelada e com a neve a cair com abundância  e gritava, gritava muito com as renas:
 -  “ Vamos Maria!… vamos Eufrázia!… Que ainda temos muitos lares para  visitar.” 
O motorista vestia um fato quentinho de lã, de cor vermelha e as renas estavam cobertas de peles e mostravam-se  preocupadas e apressadas porque ainda tinham que visitar todos os meninos e meninas que se tinham portado bem durante o ano. 
O velhinho puxava com avidez e com muita força as rédeas do colorido trenó cheio de presentes de todas as cores e tamanhos. 
Ainda esperei que alguma prenda caísse pela minha chaminé, porque com muitos dias de antecedência, eu tinha colocado o meu sapato mais velhinho num canto da cozinha, para não incomodar a cozinheira que diariamente preparava as refeições. Mas nada!… não caiu nada… porque ainda não era a hora de passar na minha rua. Apesar de muito admirada com aquela visão, eu soube naquele preciso momento que era o pai Natal.
Fiz uma pausa… mas os meus filhos na sua imensa inocência não contrariaram em nada as minhas afirmações e nem fizeram perguntas para não haver perda de tempo. 
Estavam mais atentos a todos os ruídos que pudessem anunciar a chegada do Pai Natal, do que ouvirem a história da minha infância.
A ansiedade de receberem os presentes também lhes apagava todo o interesse pelo meu conto.
Como não se mostravam minimamente interessados, tive que abreviar o fim da história para dar início à minha ideia especial e inovadora daquela noite.  
A meia noite também se aproximou e quando o sino da torre da Igreja deu as doze badaladas, alguém que estava na sala sentado à mesa, puxou o fio escondido que prendia a tampa da panela onde tinham sido cozidas as batatas, a hortaliça, os ovos e o bacalhau que propositadamente tinha sido deixada sobre o fogão da cozinha, para que a queda e o impacto com a tijoleira do chão, fosse grande e fizesse muito barulho.
A tampa caiu e fez um estrondo tão grande, que se ouviu na sala onde todos estavam sentados à mesa. 
As crianças, num misto de medo e alegria, agarraram-se ao assento da cadeira e com os olhinhos muito abertos exclamaram:
- É o Pai Natal!… É o Pai Natal!…Ele chegou!… Ele já chegou. 
Depois de se acalmarem um pouco, correram para a cozinha em direcção às prendas e, ao verem os presentes que os esperavam, os olhinhos de cada um deles brilharam de alegria e satisfação como se fossem dois faróis ligados à corrente. 
Não sabia se seria a última vez que iria ouvir a célebre promessa anual ditada pela boca daqueles inocentes, mas mais uma jura espontânea foi feita naquela celebre noite, de que iriam ser sempre bons meninos durante todos os dias do ano e que iriam amar sempre os pais, a família, as pessoas e os animais, para voltarem a ter a presença do Pai Natal, em todos os Natais de suas vidas.

4-12-2018
Reservados os direitos de Autor.
Autora: Maria Judite de Carvalho da Costa Reis

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

DESEJO DO DESTINO


DESEJO DO DESTINO

Depois de atravessarmos 
Um denso nevoeiro,
Viajamos do infinito 
Ao encontro um do outro,
Trocamos ideias e damos as mãos,
Dissemos palavras tão loucas
Que para nós eram sempre poucas,
Eram meigas, eram envergonhadas
E em fantasias arquitectadas.

Das nossas bocas!… Oh!…
Das nossas bocas
Saiam palavras sentidas, 
Românticas e quentes,
Simples e constantes,
Que oferecíamos um ao outro
Nascidas nos delírios dos carinhos
E os dias!… Os dias,
Se iluminaram 
E no amor progrediram, 
Enquanto perdiam a cor cinzenta,
Das violetas e dos lírios.

Depois! … 
Depois realizamos fantasias
Como se o tempo 
Quisesse deixar  de ser tempo
Para nós dois
E em lençóis feitos de amor,
De odores e fantasias,
Fomos ficando…ficando…ficando,
Abraçados um no outro
Como o destino queria.

31-05-2018
Reservados os direitos de Autor.
Autora: Maria Judite de Carvalho da Costa Reis


terça-feira, 30 de outubro de 2018

CÂNTICO CINZENTO

Palácio de Cristal -  PORTO

CÂNTICO CINZENTO

Nunca tive tempo para mim,
Porque sempre o ofertei aos outros
E quanto mais eu dava à vida,
Mais a vida me exigia
Sem dó pela minha fadiga.

Os anos passaram
E agora!…Agora olho para eles cheia de cansaços
E cruzo com lentidão os meus braços
Demonstrando os meus cansaços.

Já não canto cânticos tristes e cinzentos
Cheios de contrariedades e lamentos,
A minha glória é ter vontade própria
Igual à que tive quando nasci
E no peito da minha mãe
 Me alimentei do seu leite
Para crescer e estar aqui.

Agora!… Agora nada faço
Que contrarie a minha vontade
Para não ter que calar o meu Eu,
Deixo a minha submissão colocada numa prateleira
E ergo à minha decisão uma bandeira,
Porque agora!…Agora que o tempo passou…
É a minha vontade a minha vitória
Que está dentro de mim
E mesmo que me digam não vale a pena…
Não caminhes por aí!…Eu prontamente respondo:
- Para mim…para mim sempre vale a pena,
Porque eu quero assim!…

5-07-2018
Autora: Maria Judite de Carvalho Costa Reis
Reservados os direitos de Autor

sábado, 22 de setembro de 2018

AMO-TE SEM SABER PORQUÊ

Buddha Eden -  3/9/ 2017 
AMO-TE SEM SABER PORQUÊ

Não és a minha liberdade,

Ela ficou á minha espera
No outro lado da porta,
Mas que importa!…
Não és o sol, nem a noite e nem o dia,
Mas eu te amo 
Entre a sombra e a luz do dia,
Enquanto minha alma profecia.

Amo-te como a planta que não floriu,

Mas graças a ti…
Vive em mim 
O amor colorido, sereno, embriagante
Como o denso aroma
Em plena Primavera,
Que perfuma a minha vida
E perfuma toda a Terra.

20-09-2016
Autora: Maria Judite de Carvalho ( Costa Reis)
Reservados os direitos de Autor

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

PERDIDOS DO AMOR

Curia - 8/2018
PERDIDOS DO AMOR

Na esquina do lado
Entre quatro paredes,
Olhei para ti
E tu ansioso
Olhaste para mim.

Fingindo-nos indiferentes
Com a grande surpresa, 
Foi para nós dois
Um enorme prazer
De recordações,
Afinal éramos nós
Ali encontrados
A oferecer corações.

Eu estava sozinha
E tu também estavas,
Pensando em amar
E em querer ser amados,
Perdidos do amor
E de um pelo outro,
Os dois muito perto
Na esquina do lado
Mas tão longe…
Um do outro.


29-03-2012
Autora, Maria Judite de Carvalho - Costa Reis
Reservados os direitos de autor

sexta-feira, 6 de julho de 2018

DÓI-ME A VIDA….


Jardim da Ordem dos Médicos - Porto / 2018

DÓI-ME A VIDA….

Dói - me a vida…
Sempre me doeu a vida,
Por ter vindo ao mundo
Mal fadada e mal amada,
Desde o dia em que nasci.

Tudo em mim é antigo,
Nunca encontrei uma jangada
Que me transportasse
Para o outro lado
Bem longe de mim.

Fui criança triste,
Jovem insegura,
Adulta ausente 
Dos que viveram
Ou vivem a meu lado,
Sou idosa sem chão
Vestida de cinzento,
De mãos vazias
E de alma cativa e fria
Empurrada pelo vento,
Para ir ao encontro
Dum destino desencantado
Feito sem luz  e sem estrelas,
Sem estrelas…
Que me iluminem o caminho
E me fadem o destino
Para que eu 
Possa vê-las.

Reservados os direitos de autor
23-03-2018

quarta-feira, 20 de junho de 2018

O MEU RETRATO




O MEU RETRATO

Eu já não sou mais quem fui,
Não dei conta da mudança,
Meu rosto não é o mesmo, 
Minhas mãos velhas e cansadas
Demonstram bem a diferença.

Meus olhos tristes e sombrios
Já não são o que foram antes,
Eram dois enamorados
Seguiam-te como amantes.

Na espera de os amares
Eu não dei pela mudança,
Foram ficando velhinhos
Cansados de esperar.





05-11-2012
Reservados os direitos de Autor.
Autora. Maria Judite de Carvalho - Costa Reis

segunda-feira, 4 de junho de 2018

MÃE A TEMPO INTEIRO

Fim de Ano na Madeira-2016/2017
MÃE A TEMPO INTEIRO 

Decidi ser mãe a tempo inteiro!…
Mãe para sempre, sem olhar á saudade
Da minha liberdade.
Mas agora meu filho...
Agora tenho saudades coloridas,
Muito coloridas no meu peito,
Dos teus sorrisos, dos teus choros,
Da tua pele e dos teus odores,
Que me ajudaram a suportar
O meu cansaço e as minhas dores.

Por ter decidido 
Ser mãe a tempo inteiro,
Eu deixei tudo…
Deixei a liberdade á porta
Transformada em poesia,
Esqueci o vento, a chuva e o frio  
Que nos meus invernos
Engrossavam o meu mar e o meu rio. 

Mas mesmo assim meu filho...
Decidi ser mãe, 
Mãe a tempo inteiro!…
Para quando tu cresceres
Dares-me alguns dos teus carinhos
E chamares-me mãe baixinho
Com ternurinha na voz,
Para enquanto viva eu for,
Iluminares o meu caminho
Com a luz do teu amor.
07-06-2014 
Poema de Maria Judite de Carvalho - Costa Reis
Reservados os direitos de Autor.

sábado, 5 de maio de 2018

DIGAM NÃO À FELICIDADE


S.Pedro do Sul - Maio / 2017

DIGAM NÃO À FELICIDADE

Fechem-lhe as portas, 
Não a deixem entrar,
Para que não destrua as vossas vidas.
Ela é vadia, é inconstante
E quando vem… Ah!… Quando vem,
Dá-nos sorrisos, faz-nos promessas
E nos promete ser para sempre.
Depois… depois de estarmos habituados a ela,
Abandona-nos e vai-se embora,
Deixando-nos sem tecto, sem chão e sem janela,
Porque a felicidade mente, é leviana e inconstante
E serve-se da ingenuidade da gente,
Ela brinca, pula, não fede e nem cheira,
Como se a vida de cada um de nós,
Fosse apenas e só apenas uma brincadeira.

Proibida seja ela de nos bater à porta!…
Que morra!… E que fique morta!…
Não mais a deixem zombar com a vossa cara,
Não mais acreditem nela!…Porque é louca
E quando é generosa, dá-nos sempre coisa pouca.
Eu abomino os seus falsos sorrisos,
Porque só trazem lágrimas e saudades,
Saudades do que ficou para trás ou por viver,
Ela só gosta de gente forte e com sorte,
Porque a conseguem aprisionar até á morte
E não de gente desafortunada que nasce sem ela
E que apenas a vê como coisa inatingível e bela.
Deseja-la é um desperdício… conquista-la é insano…
Abrir-lhe a porta… ah!…Abrir-lhe a porta é puro engano.
A felicidade é somítica, inconstante e não se agarra á gente, 
Porque depois de nos abraçar e iludir, sai e nos abandona
Sem sentir saudades, desabriga-nos e nos joga fora.
Digam não!… Digam não á felicidade, 
Porque ela… ela sempre se vai embora.


25-07-2017
Autora: Maria Judite de Carvalho da Costa Reis
Reservados os direitos de autor


quarta-feira, 11 de abril de 2018

ASSIM ME AMAS

2017:04:24 

ASSIM ME AMAS

Tu me abraças
Quando a minha luz se apaga,
Tu me levantas
Para não desfalecer,
Tu me abraças
Para esquecer as minhas dores,
Tu me levantas
Para fazeres de mim rainha,
Dando-me um trono
Repleto de amor.

Tu me levantas 
Mais do que eu posso alcançar,
Quando estou triste
Com saudades das estrelas
Que se apagaram
Numa noite escurecida,
Tu me abraças
E me aqueces com teu calor
Para que eu viva
Quando estou desfalecida.

Tu me abraças
Quando luto sem vencer,
As turbulentas  ondas
Do meu mar enfurecido, 
Então me olhas nos meus olhos 
Com olhos feitos de amor
E me acalmas
Quando minha alma está perdida,
Olhas meus olhos 
E me dizes com carinho,
Adoro-te tanto!.. 
Tanto… tanto… minha querida.

17-11-2016
Autora: Maria Judite de Carvalho da Costa Reis
Reservados os direitos de autor

domingo, 24 de dezembro de 2017

O PAI NATAL E O LOBO

Madeira 2016/2017
Miniconto

O PAI NATAL E O LOBO


O frio era intenso sobre o Ártico e a Lapónia estava coberta de gelo desde o início do mês de Dezembro.
A noite de consoada aproximava-se e a tarefa da entrega dos presentes, estava a ficar seriamente comprometida, pois o Pai Natal além de ter muita idade, também se encontrava com uma tremenda gripe.
Pensando em todos os meninos e meninas que esperavam a sua visita, quis, com muito custo, dar continuidade à sua missão para que naquele dia todos recebessem presentes. 
Embora doente o Pai Natal saiu de casa, atrelou as renas e seguiu seu caminho para dar cumprimento aos pedidos que lhe tinham sido formulados pela pequenada. 
Já ia a meio da caminhada quando começou a tossir sem parar e, impossibilitado de prosseguir, encostou o trenó e fez uma fogueira para aquecer o corpo velho, cansado e gelado.
A tosse era muita e dificultava-lhe a concentração na lista da distribuição dos presentes, o que o obrigou a suspender a viagem e a  permanecer junto da fogueira, até se sentir um pouco melhor.
Foi então que apareceu um lobo que, ao vê-lo tremendo de frio, despiu a sua pele, cobriu-o com ternura e ficou junto dele a noite toda para lhe fazer companhia.
Quando a madrugada apareceu, linda e radiosa com o Sol a espreitar no Nascente, o Pai Natal despediu-se do lobo, subiu para o trenó, apontou as rédeas das renas e seguiu convicto que já mais iria esquecer o gesto fraterno e ternurento daquele lobo. 
A Paz e o Amor existentes no coração dos anjos do Céu, tinham descido à Terra para ocupar e transformar o espírito de todas as criaturas do Planeta para que, em uníssono, todos festejassem o aniversário do nascimento do Mestre Jesus e se fizesse Natal no coração de todos os seres vivos e de toda a Humanidade planetária.

Natal / 2017  

Autora : Maria Judite de Carvalho da Costa Reis
Reservados os direitos de Autor
 

sábado, 9 de dezembro de 2017

O NATAL NO DOURO

Ilha da Madeira 2016/17

CONTO DE NATAL

O NATAL NO DOURO

A família deitou-se na noite anterior mal escureceu o dia porque iam passar o Natal à aldeia.
Ainda a claridade dormia despreocupada para lá do horizonte e já a avó, o Santiago e os pais desciam o elevador apressados, para se sentarem no automóvel e darem início à viagem.
A viagem iria demorar muito mais tempo do que as viagens das férias do Verão. Era Inverno, o frio e a queda da geada transformavam a estrada numa autêntica pista de gelo, obrigando os automobilistas a diminuirem a sua marcha para chegarem sãos e salvos ao destino.
Chegados à Serra do Marão, Santiago ficou maravilhado. Era tão grande a beleza observada pelos seus olhinhos infantis, que não cabiam na sua admiração.
Os pinheiros que no Verão eram verdes, estavam brancos da cor dos flocos de neve e com os ramos vergados pelo peso do gelo acumulado sobre eles.
Era um ambiente de um autêntico conto de fadas, a Serra estava toda vestida de branco parecendo uma noiva a caminho do altar.
Santiago, sem conter a alegria de ver tamanha beleza, exclamou:
- Parece um postal de Natal!…
Todos sorriram com um sorriso de confirmação do que acabavam de ouvir.
Durante todo o caminho  não parou de fazer perguntas. Como era o Natal na aldeia, se em todos os lares ia haver Ceia de Natal e se todas as crianças iriam receber presentes.
Era um menino muito interessado por tudo o que o rodeava e por sua vez a avó também alimentava a curiosidade do neto com a paciência que todas as avós possuem.
O Santiago gostava de fazer perguntas e a avó orgulhava-se de responder a todas elas.
Fazia-o sem lhe ocultar nada, sempre com veracidade e sem rodeios para não criar confusões naquela cabecinha de criança pensante.
Sem lhe esconder a realidade da vida, respondeu-lhe que nem todas as crianças naquela Noite de Natal receberiam prendas, porque alguns meninos eram tão pobres que nem para o pão que precisavam de comer todos os dias para crescerem, os pais tinham dinheiro para lhes comprar.
Depois de muitas mais perguntas e respostas, a família chegou ao seu destino e instalou-se na casa grande da quinta, que os pais tinham herdado dos seus antepassados.
A casa estava quentinha graças a uma grande fogueira que a Maria da Graça, apesar de contar muitos anos de idade e quase todos ao serviço daquela família, tinha feito na lareira da cozinha com um grande tronco de madeira, para aquecer todos os aposentos da casa e os patrões que vinham do Porto.
A sala embelezou-a com ramos de pinheiro e azevinho, colocou num dos cantos uma braseira de cobre dourada, sobre um estrado de madeira em forma octogonal cheia de brasas coloridas e sobre a mesa de jantar estendeu uma toalha branca de renda ornamentada com um lindo serviço de porcelana da Vista Alegre, que apenas era usado em dias de festa.
Na mesa também lá estavam a aletria, as rabanadas, as fritas de abóbora, os sonhos dourados, o arroz doce, os pinhões e até as piasquinhas de madeira para, no fim da ceia, a família se divertir jogando o jogo do “Rapa, Tira, Põe e Deixa”.
Era um jogo centenário que todas as famílias do Douro jogavam na Noite de Consoada enquanto esperavam pela hora da Missa do Galo.
Por toda a casa reinava um cheirinho a canela vindo das guloseimas que tinham sido confeccionadas durante a tarde.
O pai tinha chegado muito cansado devido á condução difícil da viagem mas, para que não faltasse nada, entregou uma cesta de vime ao Santiago e pediu-lhe que fosse apanhar o musgo verdinho para ambos fazerem o presépio.
O presépio foi feito e a sala, com aquela obra de arte alusiva ao Natal, ficou ainda mais bonita fazendo as delícias do Santiago.
Depois da ceia, do jogo e já perto da meia noite, a avó e os pais foram à Missa do Galo para celebrarem o nascimento do Menino Jesus e Santiago ficou em casa na companhia da empregada à espera da hora para abrir os presentes.
Já com a paciência esgotada de tanta espera, dirigiu-se para o presépio e viu nele depositados uma bola, vários carrinhos de plástico, uma caixa de lápis de cor, uma corda de saltar, um pião de madeira envernizada e uma bicicleta com rodinhas. Estavam ali todos os presentes que tinha pedido ao Menino Jesus.
Ao ver todos aqueles brinquedos, voltou a pensar nos meninos mais pobres e correu a perguntar à empregada se conhecia alguém que naquela noite não fosse receber prendas.
Maria da Graça olhou para ele e enternecida respondeu-lhe:
- Sim menino… eu conheço…
E levando-o até à vidraça da janela da sala, apontou-lhe uma velha casinha de madeira, enquanto lhe ia dizendo que nela residia um menino da idade dele chamado José, que vivia com a mãe, com muitas dificuldades, e provavelmente nem pão e nem sopa teriam tido para a ceia.
Santiago muito triste subiu ao seu quarto, vestiu um kispo quentinho, enfiou o gorro de lã na cabeça, pegou num saco de plástico onde depositou parte dos brinquedos que estavam colocados junto ao presépio e saiu muito apressado antes que os pais e a avó regressassem da missa.
Já na rua, receoso, ainda hesitou um pouco e pensou em voltar para trás.
O frio gelava-lhe a cara e as mãos, e a escuridão também lhe provocou algum desânimo, mas o sentimento de partilha dominou-o e fê-lo prosseguir. Acompanhado pela luz do luar dirigiu-se para o caminho que o iria conduzir à casa pobrezinha que a empregada lhe tinha indicado.
Atravessou a rua e seguiu por um campo de terra batida sem iluminação, em direcção aquela pobre casa sem condições de habitabilidade, a qual mais parecia um casebre.
Enquanto se dirigia para lá, no caminho encontrou um homem com uma coroa na cabeça que lhe perguntou:
- Para onde vais, meu menino?
Santiago receoso respondeu-lhe:
- Vou para onde as estrelas do Céu me levarem.
Exactamente como eu!… Respondeu-lhe aquela figura real, em voz calma e serena e ambos continuaram a caminhar.
Mais adiante surgiu um outro homem vestido de rei, que depois de dar as boas noites, se apressou a perguntar-lhe para onde ele ia àquela hora da noite e Santiago sem demora respondeu:
- Vou para onde as estrelas do Céu me levarem.
O homem vestido de rei olhou-o de cima a baixo e respondeu- lhe:
- Eu também vou!…
Um pouco antes de chegar a casa do José, surgiu de entre as árvores um terceiro rei que, tal como os dois anteriores, lhe perguntou onde ia.
Do mesmo modo e sem se fazer esperar, Santiago repetiu que iria para onde as estrelas o levassem.
Conversa puxa conversa e os três homens quiseram saber como se chamava o menino, mas antes que ele respondesse e porque eram pessoas de bem e muito respeitáveis, disseram-lhe primeiramente os seus nomes.
Um disse que se chamava Belchior, outro que se chamava Gaspar e o terceiro disse chamar-se Baltazar.
Chegado ao destino, os reis despediram-se e continuaram a sua caminhada e Santiago ficou e  bateu à porta do José, mas não obteve resposta porque o menino e a mãe já dormiam profundamente.
A porta não tinha fechadura e Santiago deitou a mão ao ferrolho de madeira que a segurava, abriu-a, entrou e colocou junto da lareira os brinquedos que levava consigo.
Logo depois, sem fazer barulho, dirigiu-se para a saída para voltar para casa antes que os pais e a avó regressassem da missa.
Santiago, enquanto regressava a casa, não cabia em si de contente, era o Natal mais bonito que já tinha passado, porque tinha dividido os seus brinquedos com o menino que mais precisava, porque tinha a certeza que o José, quando acordasse, iria ter o sorriso mais feliz que já tinha tido e porque o José, o menino mais pobre da aldeia, o iria confundir com o Menino Jesus de todos os meninos.
Natal/ 2017
Autora : Maria Judite de Carvalho da Costa Reis
Reservados os direitos de Autor










sexta-feira, 24 de novembro de 2017

AFAGOS DO ALÉM

Novembro 2017 - Coimbra

AFAGOS DO ALÉM

 Lá no alto!… Lá bem no alto
O sol se esconde, o luar cresce,
A lua se roboriza
E destapa a face à vida
Fecunda de dúvidas, de contradições
E de amores desencontrados,
Que gritam no silêncio da noite
Como corações sem abrigo.
E as nuvens… ah as nuvens!…
Essas despenteiam-se
Para tirarem o brilho ás estrelas
E ocultarem as lágrimas
Que caem sobre o vento
De quem sofre em pensamento. 

Lá no alto… Lá bem no alto
As utopias também lá estão
Como se fossem verdades
Para darem vida aos sonhos,
Sonhos que foram abortados
E que á luz do dia 
Sempre se transformam em nada.
Mas o amor… Ah! O amor malogrado,
Oculta-se nas mãos desocupadas,
Nuas, frias, vazias e molhadas,
Como quem tudo teve
E agora nada tem,
Mas como são pertença
De almas elevadas,
Vão recebendo afagos
Dos espíritos amigos
Que as observam do além. 

02-09-2017
Autora - Maria Judite de Carvalho Costa Reis
Reservados os direitos de Autor

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

QUANDO O MEU INVERNO CHEGAR

Chichén Itzá - México - 2015

QUANDO O MEU INVERNO CHEGAR

Quando o meu inverno chegar…
E eu já não tiver forças 
Para amar sem ser amada,
Deixem-me serenamente partir
Acompanhada do meu ser,
Para que eu regresse serena
Á pátria que foi minha 
Antes de eu nascer.

Quando o meu inverno chegar…
Encerrem na minha última morada
Os desgostos e as desilusões,
Para que o frio da vida 
Não me perturbe na partida,
Porque eu quero partir incógnita
Tal qual como vivi
E não quero olhares distantes
Que nada sentiram por mim.

Quando o meu inverno chegar…
Cubram-me com as folhas caídas 
Do meu Outono da vida,
Que silenciosamente 
Vagueiam sem rumo
Vestidas com a cor do tempo,
Ignoradas pelas almas mortas
E pelas nuvens negras que passam
E que encerram janelas e portas. 

Quando o meu inverno chegar…
Sem sol para me sorrir,
Cobram-me com rosas de Janeiro
Sem cor e sem cheiro
E depois!… Depois deixem-me partir.
31-10-2017
Maria Judite de Carvalho - Costa Reis
Reservados os direitos de Autor

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

O DIVÓRCIO


Jardim do Hotel Four Views - Madeira-2016/17

O DIVÓRCIO

As lágrimas nos olhos
São uma constante,
Que descem pela face
Calmas ou velozmente
E o sentimento de amor
É transformado em desamor,
Porque se silenciam as palavras, 
Os afectos, os toques, 
Imobilizam-se os olhares,
Alteram-se os sentimentos 
E da boca… Ah!… Da boca,
Saem apenas ais e prantos.

Da compreensão e da serenidade
Sai um vendaval de vento,
Que espalha dor, raios e chamas,
Da confiança nasce a desconfiança
E a vida que era feliz passou a drama.
Mas num instante…Ah!…Num só instante!…
Um corre apressado e desorientado
Para os braços de outro alguém
E o outro desolado fica só e sem ninguém.

Depois!…Depois a razão acaba por vencer
E de repente!… Não mais que de repente!…
Nasce a tristeza na face do que se fez contente
E alegra-se o triste que vivia tristemente.
E de repente!… Não mais que de repente!…
Faz-se feliz o que sempre amou e era amante
E infeliz o que esqueceu o amor, 
Para viver como um errante.
18-07-2017
Maria Judite de Carvalho - Costa Reis
Reservados os direitos de Autor


sexta-feira, 6 de outubro de 2017

MINHA TERRA, MEU ENCANTO

Cruzeiro no Douro/ 2015
MINHA TERRA, MEU ENCANTO  

Na espiral do tempo
Nasceu do ventre da terra
Empurrada pelo dorso 
Dum xistoso penedo multicor,
A minha pequenina aldeia
Que á noite as estrelas a iluminam
E de dia o sol lhe dá calor.

Teu olhar fica tão perto
Limitado pelos montes,
De longe ninguém te avista
Nem a tua eterna beleza,
És pequena pequenina
Vestida de verde esperança, 
Onde todos que em ti vivem
São água da mesma fonte
Que não seca e é constante.

Minha terra meu encanto,
Pequena pérola encantada,
Por vales e montes cercada
E pelos curvilíneos vinhedos,
Com cepas rugosas e tortas
Devido a tanta secura,
Te cobres com urze lilás
Prenhe de tanta saudade,
Pelos que partem para longe
E pelos que ficam em amargura.

Oh minha terra velhinha
De quem eu sou filha pródiga
Sem forças para ao teu seio voltar,
Morro longe diariamente 
Fustigada pelos invernos do tempo,
Dum tempo que não quer ser tempo,
Nem tempo para te abraçar.

05-10-2017
Autora - Maria Judite de Carvalho - Costa Reis
Reservados os direitos de Autor

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

AI SAUDADE!… AI SAUDADE!...


AI SAUDADE!… AI SAUDADE!...

Lá longe!…
Com as lágrimas das flores
Se tecem saudades de todas as cores,
Da cor dos sonhos sonhados
E vê-se um casario velho
Fechado como um império,
Que distribui sentimentos
Sobre o leito de um rio
Que tudo leva para o mar,
Os suspiros das gaivotas,
O voo dos passarinhos,
As penas das pombas mansas
Que tristemente se olham
E choram as nossas lembranças.

Lá longe!…
O Céu veste-se de azul
Saudoso do sol distante
E das nuvens 
Que correm para Norte
Negras de tanto querer,
Nasce a urze nos montes
Que ás vezes cresce bem torta
Para fugir á má sorte, 
De tão tamanha  secura
E da saudade Deus meu,
Saudade que há tanto dura.

Ai saudade!… Ai saudade!...
Despida de sonhos sonhados
E as rosas enternecidas
Vestem-se de roupa garrida,
Para alegrarem a vida
Que passa aqui a meu lado,
Ai saudade!… Ai saudade,
Ao vê-las assim coloridas,
Cheirosas e perfumadas
Aqui tão perto de mim,
Eu fico enternecida
E peço a Deus que a vida
Não pare de sorrir pra mim.

Ai saudade!… Ai saudade!…

30-07-2017
Maria Judite de Carvalho - Costa Reis
Reservados os direitos de Autor

domingo, 20 de agosto de 2017

MINHA MÃE…


MINHA MÃE…

Minha mãe eu choro á noite
E rezo por ti de dia,
É no silêncio da noite
Que a dor me faz companhia.

Minha Mãe eu grito a noite,
Porque a vida me castiga,
É em mim que se abrigam
Os sofrimentos da vida.

Minha Mãe eu sofro na noite
Como um barco naufragado,
Que navega com as marés
Nas ondas deste meu fado.

Minha Mãe que me pariste
No meio de tanta dor,
Era inverno e era noite
Apesar do teu amor.

Minha mãe sofro de dia
E choro no escuro da noite
Para ninguém me ver sofrer,
Deixa-me regressar ao teu ventre,
Fora dele não sei viver.
17-08-2017

Maria Judite de Carvalho Costa Reis
Reservados os direitos de autor

terça-feira, 8 de agosto de 2017

VOLTA PARA TRÁS Ó TEMPO

Fotografia tirada em Cabo Verde - 2017

VOLTA PARA TRÁS Ó TEMPO

Volta para trás ó tempo
Não perpetues o meu sofrer,
Volta até eu ser pequenina,
Quando inocente menina, 
Sentada no colo materno 
Eu esperava crescer.

A vida me foi madrasta  
Me fez incompreendida,
Na curva da minha estrada
Sem amor e sem guarida,
Fizeste de mim amarga
Fizeste de mim mendiga.

Volta para trás ó tempo,
Deixa-me ser pequenina
Não quero mais ser mulher,
Adulta de negro vestida,
Na solidão me perdeste
E no amor que esqueceste
Tornaste meus dias noites
E as noites, noites são,
Na estrada da minha vida
Somaste desilusão.

Volta para trás ó tempo,
Já não sei como, nem onde ir,
Deixa-me ser pequenina,
Voltar a ser a menina
Que de olhar terno e inocente
E de lábios sempre a sorrir,
Via um mundo florido
Com as cores do arco-íris.
10/2010
Maria Judite de Carvalho - Costa Reis
Reservados os direitos de Autor


domingo, 9 de julho de 2017

PRECISO DE AMOR


PRECISO DE AMOR

Soltem o tempo, a noite e o dia
E parem os relógios,
Eu preciso de amor!…
De amor persistente e constante
Que a vida teima em negar
E que só em mim persiste
E nos outros se apaga ou não existe.

Destruam toda a carência de amor
Que existe na Terra,
Calem os sons do fado
Que despertam a saudade
E entristecem a existência
Como se o amor fosse um pecado.

Rasguem os poemas de desamor
E os romances de vidas infelizes
Que perturbam as minhas raízes,
Acabem com os espinhos coloridos
Das rosas nos jardins
E com o latir dos animais famintos,
Atirem-lhes com comida 
E sorrisos com abundância,
Para lhes saciar a fome de amor
Que os persegue desde a nascença.

Façam-me renascer
Num novo mundo
E embrulhem-me 
Em cobertores de amorosa poesia 
E em cânticos felizes
Dos passarinhos nos ninhos,
Tragam-me um berço 
Para me embalar
Com almofadas de afagos 
E lençóis brancos de amor 
Para eu adormecer, 
E depois!…
Depois… deixem-me morrer.


13-06-2017
Maria Judite de Carvalho da Costa Reis.
Reservados os direitos de autor