MEIA NOITE
Foto de Maria Judite de Carvalho. Pinhão 19-12-2025
MEIA NOITE
Meia noite e a noite está fria e gelada,
No meu pensamento ainda estás presente
Juntamente com o som da música,
“Beija-me Muito Como Se Fosse A Última Vez”
E o eco na memória já cansada,
Controla os meus sentidos
Com a mesma timidez.
Meia-noite e a noite está fria, fria
E eu,
Aqui na minha cama sozinha
Onde um dia já tive companhia,
Hoje…
Hoje aqui só comigo mesma
Nesta noite fria, fria,
Cujo a memória
Me traz recordações do passado
De quando eu era menina
E o rio que passa aqui a meu lado,
Lento, triste e sem graça
Nega-se a espelhar a lua e as estrelas,
Para que eu não possa vê-las.
Meia noite e a noite
Está fria, fria
Como o tempo
Que ignora o meu sofrer,
Cada segundo é longo demais
Num tempo já sem tempo
E sem tempo
Para o querer ser.
A gelada noite abraça
Os meus gastos sentidos desiludidos,
Pendurados num dos cantos
Do tecto do meu quarto,
Como negros morcegos abandonados
Sofrendo pela ausência de felicidade
E a minha música favorita,
Timbra-me na alma desalentada
Como se fosse a última despedida,
Enquanto a desilusão me devora a alma,
Tal como a injusta punição decretada
Pelos pecados dum passado,
Desta ou de outras vidas.
19-12-2025 - Pinhão
Poema de Maria Judite de Carvalho
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