ERA JANEIRO
Era Janeiro!…Era Inverno
E as ondas de frio que me cercavam
Eram tamanhas,
Ninguém imaginava
O que estava para vir,
A serenidade abruptamente desapareceu,
A esperança apagou-se,
A guerra chegou de forma vil
E declarava-se com espada e machado
E o amor e a compreensão de outrora
Também tinham desertado.
Era Janeiro!
Era um mar turvo sem fim,
Era a poesia triste e magoada
Que estava a nascer dentro de mim,
Como se fosse um fado
Triste, doente e magoado,
Era o início do ano
E era o começo dos desenganos.
Era Janeiro!
Era um inverno gelado,
Com os dias frios e tristes
Cobertos de nevoeiro serrado,
Que minha alma gelava,
Porque na rua estava a mudança
Que minha porta fechava
E com a chuva fria e salgada
A minha dor era molhada.
Sem abrigo, a felicidade
Abrigou-se na rua nua
Despida e desiludida,
Para calcorrear caminhos
Inseguros e inóspitos,
Levando com ela o passado
E as memórias enroladas
Nos duvidosos e tristes pensamentos,
Cobertos de mágoas e lamentos,
Para que se destruísse toda a história.
Era Janeiro!
E o inverno soprava lá fora….
20-06-2017
Poema de Maria Judite de Carvalho
Reservados os direitos de autor.

