SONHO NÃO REALIZADO
Ninguém realizou o sonho
Apesar de ter existido
Ao longo da vida da vida.
Caminhou como pedinte
Pelos recantos da existência
Do frio, da chuva,
Do sol, do luar
E por onde os sem-abrigo
Consideram o seu lar
E mesmo assim...
Oh! Mesmo assim,
Ninguém o quis realizar.
Sempre foi
Uma estrela cadente,
Sem brilho e muito só
No meio da multidão
E de gente agreste e amarga
Que nunca o soube escutar
E o pobre sonho,
Vegetou ignorado,
Sem possibilidades
De se realizar.
Até o destino,
Esse malogrado destino
O ignorou e evitou,
Sempre foi um permanente inimigo,
Sempre bailou muito agarrado
A um triste fado
E no salão da tristeza e do desânimo,
Lançou-o nas trevas sem piedade
E fechou-lhe todas as portas e as janelas,
À alegria, às cores das flores,
À felicidade, aos sorrisos
E à esperança,
Para apagar o seu nome
No livro do destino e da lembrança,
Para assim perpetuar-lhe a rejeição,
Desde a nascença e desde criança.
Ninguém...ninguém
Realizou o sonho...
20-12-2014 - Pinhão
Poema de Maria Judite de Carvalho
Reservados os direitos de Autor

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