RIO PINHÃO-2
Ó rio que passas triste
Num silêncio sem murmúrios,
Numa correnteza serena
Aqui tão perto de mim,
Tu escutas e tu confortas,
As tristezas e os lamentos
Que são muitos
E são constantes.
Tuas águas... rio Pinhão,
Cansadas de tanto penar,
caminham serenas e lentas
Sem pressa de o Douro abraçar.
Te entristeces com os ais
Que se juntam
Às lagrimas choradas
Caídas dos olhos tristes
Que são negros como breu,
E que choram por um amor
Que seu amor esqueceu
E tu...
Tu para os confortares,
Espelhas nas tuas águas
A lua, as estrelas e o luar,
Para iluminares os socalcos,
As vinhas, as curvas
E as íngremes encostas
Que aumentam o teu penar
Vai rio Pinhão,
Com o teu leito pintado de negro,
Porque no teu seio...
No teu seio navegam segredos
Prenhes de tanto sofrer,
Vai e segue o teu destino,
Não chores e sorri baixinho
Para quem mal te tratou,
Vai ao encontro do teu mundo
E não te deixes dominar,
Caminha e não queiras mal
A quem sempre te ignorou
E nunca te soube amar.
Vai e não olhes para trás,
Não escutes os gemidos
Das paredes centenárias,
Xistosas e barrigudas,
Que suportam os socalcos,
As videiras e as cepas velhinhas,
Tortas de tanto penar
Que encontras no caminho,
Porque a vida...
A vida passa depressa
E por isso...por isso
Vai ao encontro do teu mar
E de quem te queira amar
E por ti tenha carinho.
21-12-2025 Pinhão
Reservados os direitos de Autor.

Sem comentários:
Enviar um comentário
Obrigado pela visita. Agradeço o seu comentário.