ENTRE A DOR E O DESTINO
Tenho uma dor milenar
Que transporto comigo
Nas minhas sucessivas
E desafortunadas reencarnações,
Que me acompanha quando desencarno
E quando volto a reencarnar,
Transporto-a sempre comigo,
Numa simbiose constante
Entre a dor e o destino.
As minhas sucessivas
Existências na Terra,
Tão sofridas e tão irrealizadas,
São como vermes que percorrem
O corpo e a alma
Num vai e vem constante,
Eles ocupam livremente
Os recôncavos de todas
As existências malfadadas,
Para que não se viva e se fique morta,
Sem conseguir fechar-lhes a porta.
Sempre voltei acorrentada
A um futuro e a um passado
Feito de duro granito,
Negro e mal fadado,
Mas eu…
Eu sempre muito resiliente,
Vou ficando à espera de retornar
Numa bem fadada era,
Que realize todos os desejos
E sonhos para mim,
Mas porque nunca foram realizados,
Hoje…
Hoje não têm conta e não têm fim.
20-04-2020
Poema de Maria Judite de Carvalho
Reservados os Direitos de Autor.
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