EM TI TAMBÉM ME REVEJO
Árvore sem ramos
E sem folhas
Moribunda e esquecida,
Teu porte altivo perdido,
Tu és vida sem teres vida,
Mas firme
E orgulhosamente só,
Ao Céu erguida.
Lembras-me uma rapariga
Que também já é velhinha
E que sua juventude perdeu,
Com o bem e com o mal
Que à sua porta bateu,
Está tão só e tão sozinha
Da sua seiva despida,
Á espera que a cortem
Na margem do rio da vida.
No teu suspiro final
Todos te vão lamentar,
Mas enquanto te finavas
Não ouviam os teus ais
Do teu grande sofrimento
E tu!.. Sim, e tu
Já seca, sem folhas, mas aprumada,
Mesmo sabendo que nada vales,
Te miras nas águas em pranto
E pedes amor sorrindo
Ao rio que te acompanha,
Onde espelhas a tua alma
E o teu corpo sem ter vida,
Oh!… Como em ti,
Eu me revejo,
Triste, serena e esquecida.
Ano/ 2010

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