NESSE BAÚ REPLETO DE PÓ
Fui-me perdendo
Em tantos horizontes
Confundindo-me em tantas vidas,
Vagueando sendas, vales e montes,
Vivendo mentiras consentidas.
Tal como tu
Minha companheira,
Só a memória guardas com recato,
Nesse baú repleto de poeiras
Onde escondes o teu retrato.
Eu não sei como te perdi,
Sei apenas como te encontrei,
A tua juventude essa não vivi,
O que sempre lamentarei.
Nesse baú repleto de pó
Estás tu e as recordações,
E agora estou só
Nos teus olhos e nas emoções.
BELIZA
Ao olhares para as janelas
Que talvez já tanto olhavas
E que achavas as mais belas
As cortinas de cores várias.
Vi no teu olhar um desalento
Recordações uma saudade,
Aquele negro tão sebento
Num reparo de acuidade.
Vite jovem sonhadora
De tantos versos merecida,
Tão suave e sedutora
Numa rima não esquecida.
Vi o tempo como passa
Nessas rimas que imagino,
Vi em ti a mesma graça
E cantar-te é um destino.
Com as cortinas mesmo baças
Não escondem a poesia
Vão tapando as vidraças
E o enigma que escondia.
O teu nome era Beliza
Era assim que te cantava,
Oh suave e doce brisa!
O poeta que te amava.
Lá do alto das janelas
Das cortinas envelhecidas
Pelos tempos e sequelas
Que te faz enternecida.
Dois poemas de Eduardo Herculano Furtado da Rocha
( Herculano d`Loivos )
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